
"Finalmente abriram a represa e o choro veio incontido, forte como um murro no estômago. As lágrimas desciam como uma cascata me impedindo de falar. Não havia mais nada para ser dito.
Chorei. Chorei pelo meu amor perdido, pelos planos escoando para o esgoto, pela dor de ser abandonada mais uma vez. De novo. De novo, de novo e de novo. Chorei por ver o homem mais foda do mundo escolhendo ter uma vidinha e ficar com uma mulherzinha porque tinha medo de tentar. Medo de falhar. Morria de medo e fingia contentar-se com o futuro do pretérito. Ele poderia. Mas não fez. Poderia ficar comigo, poderia escrever, poderia crescer indefinidamente. Escolheu definhar. Chorei sozinha em uma janela desconhecida, cercada de gente que sequer sabia quem eu era.
Ninguém poderia me abraçar e dizer que tudo ficaria bem. Eu sabia que não, nada ficaria bem, nunca mais. Estava perdendo minha casa, não tinha dinheiro e meu amor precisava de uma mulherzinha.
Mas eu sobrevivo. Não sou nenhuma garotinha dessas sem rosto que podem ser substituídas como pilhas quando ficam fracas. Eu sou inesgotável."
- Este livro fala por mim, principalmente agora.



